Sobre a nossa democracia e o poder midiático de poucos

Papo chato sobre democracia e comunicação, e que parece redundante. Mas é mesmo. Giramos, giramos, e caímos no mesmo buraco.

Para entender um pouco mais do Brasil atual é essencial entender o poder midiático de um mesmo grupo, o Grupo Globo. Post longo, mas vale a discussão e dados.

Sobre a Globo a revista inglesa The Economist destacou:

“Não menos que 91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, passa pelo canal durante o dia: o tipo de audiência que, nos EUA, acontece apenas uma vez ao ano, e apenas para o canal que ganha o direito, naquele ano, de exibir o Super Bowl.

A Globo é certamente a empresa mais poderosa do Brasil, dado o seu alcance em tantos lares. O seu concorrente mais próximo, a Record, tem uma audiência de apenas 13%.

O canal de TV mais popular dos Estados Unidos, a CBS, tem apenas 12% da audiência durante o horário nobre, e seus principais concorrentes oscilam em torno de 8%.”

E com a concentração de poder, claro, vem junto a concentração de dinheiro. $$$! A família Marinho é uma das mais bilionárias entre os 65 bilionários brasileiros, aponta ranking da Forbes 2017. Os três irmãos – João Roberto, José Roberto e Roberto Irineu – tão entre os 10 mais ricos do país, nesta sequência: 8º, 9º e 10º, com fortuna média de 3,8 bilhões de dólares cada um. Vai vendo!

Como se não bastasse o problema do monopólio e da influência dos seus telejornais e novelas, este mesmo grupo se colocou como protagonista no apoio a Ditadura Militar de 64, e agora novamente no golpe que derrubou uma presidente legítima. E que ainda hoje ofusca a verdade por trás do tenebroso cenário político.

Então, discutir a hegemonia da Globo e a regulamentação da mídia no Brasil é urgente. Diria até, um dever de todos aqueles que acreditam na democracia. Sem esta discussão não avançaremos nunca!

E aí fica a crítica a Lula e Dilma, que avançaram em outros aspectos, mas que nos seus mandatos não tiveram a coragem histórica de regulamentar isso. Teríamos hoje um outro contexto político.

Já sobre Temer, aí que danouce mesmo! Esse aí é que não irá catucar isso, pelo contrário, acabou de sancionar, no último dia 28/03, uma lei que altera regras para outorgas de radiodifusão e retira obrigações básicas das empresas na prestação do serviço. Resumindo, melhorou demais para os Marinhos.

Gritar ou usar a hashtag #ForaTemer, antes de tudo, deveria ser uma reflexão a respeito dos próximos passos na direção de um Brasil realmente democrático.


*Globo domination – http://www.economist.com/news/business/21603472-brazils-biggest-media-firm-flourishing-old-fashioned-business-model-globo-domination

*Os 43 mais ricos do Brasil em 2017, pela lista da Forbes – http://exame.abril.com.br/negocios/os-43-mais-ricos-do-brasil-em-2017-pela-lista-da-forbes/

*O escárnio de Temer com as concessões de rádio e TV – https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/o-escarnio-de-temer-com-as-concessoes-de-radio-e-tv/view

Cidade dos Sonhos – Tour Recife

Sábado tive o prazer de colaborar na produção de um passeio lindo por projetos estratégicos para o entendimento de uma cidade ativa, participativa. Um passeio de bike organizado pelo projeto Cidade dos Sonhos, em parceria com os grupos da Horta Comunitária de Casa Amarela, Bike Anjo e INCITI.

Para quem ainda não conhece, o “Cidade dos Sonhos” pretende reunir o maior número possível de sonhos dos brasileiros para suas cidades. E depois, juntos, pressionar candidatos e candidatas à prefeitura para que transformem esses sonhos em projetos reais. Mais detalhes: www.cidadedossonhos.org

Fotos: Rafael Medeiros
Fotos: Rafael Medeiros

Obrigado aos amigos do Cidade dos Sonhos, Agência Lema e parceiros. Foi realmente um acalanto numa semana tão conturbada de regressão no campo político.

Renovar as energias, conectar nossos sonhos e seguir em frente.

Viver bem é agir pelo coletivo

Semana passada fiz uma postagem no Facebook falando de algo relacionado ao golpe, daí alguém (um desconhecido) fez um comentário que me fez rir muito. Ele insinuou que nós, os “contra o golpe”, éramos comunistas. Olhem mesmo, comunistas! :D

Faltou pouco para eu responder: “Amigo, onde vc viu um comunista?! Quero muito conhecê-lo!”.

Mas falando sério, falar de Comunismo e não refletir sobre a hegemonia do Capitalismo, hoje, seria um sacrilégio. Vendo ao nosso redor acho que não estamos indo bem, né mesmo? As cidades tão a cada dia mais desequilibradas, inseguras, violentas, caóticas. Então, acredito que temos que parar para refletir sobre os modelos do presente. Já que este em voga tá beeem ruim.

Dizem que a Economia do Compartilhamento é o futuro. Será? Modelos abertos ao acesso das coisas, e não a posse restrita, o acúmulo de bens. Quem sabe? O que sei é…

Pare de olhar para seu umbigo, olhe para os lados!
Olhe para os outros.
Pare de se esconder por trás de muros, se abra para seu bairro!
Ande, respire, sinta sua cidade.
Pare de celebrar pequenas conquistas pessoais, celebre conquistas para todos!
Viver bem é agir pelo coletivo.

Não se feche, expanda!

Sobre ser livre

Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro e chorar;
Posso falir. Ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho;
Posso errar, cair;
Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser;
Posso ser artista, ator, bailarino, poeta; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do canto dos pássaros;
Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo;
Posso cruzar as pernas ao sentar;
Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência;
Posso recusar brigar;
Posso não gostar de futebol;
Posso não saber dirigir, e nem trocar o pneu de um carro. E se um dia ou souber, não serei por isso mais ou menos homem;
Sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada;
Não compartilho, de jeito nenhum, imagens que diminuem a mulher ou que obviamente eram para uso íntimo;
Nunca comi uma mulher, todas as vezes nós nos comemos;
Não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo;
Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, vaidoso, ogro, tudo e nada disso;
Quero continuar tentando desconstruir o machismo em mim. Quero ser um homem livre.

Por Leo Antunes.


*Trechos editados do manifesto “Homens libertem-se” (do Coletivo Mo[vi]mento) e do artigo “O papel dos homens no feminismo” (por Nádia Lapa).

Reféns de nós mesmos

No dia que entendermos que ‪#‎SegurançaPública‬ não é um assunto apenas de polícia, e sim transversal, que toca em temas co-relacionados como movimentação de pedestres, vivência nas ruas e calçadas, iluminação pública decente, intensa atividade comercial e cultural, e oportunidade de trabalho e diversão para TODOS, teremos, assim, um caminho para uma sociedade sem violência. Pq uma cidade policial, onde teríamos que ter uma viatura em cada esquina com fuzis à mostra, faria de nós reféns de nós mesmos. Uma cidade sitiada pelo medo, pelo medo do que somos. Uma cidade horrível.

Sonido e o mercado da música

(Por Leo Antunes. Publicado no , em 22/10/2015)

Depois de vários anos trabalhando na carreira de artistas e bandas e, também, na outra ponta como contratante quando coordenei os festivais de cultura do Governo estadual, percebi que existe uma lacuna no mercado efetivo de música em Pernambuco: casas de pequeno porte com agenda permanente de música autoral. Uma contradição num estado com tantos bons compositores e bandas, e discos lançados. Claro, em um histórico recente tivemos, sim, boas experiências, mas que ainda não consolidaram o mercado de música autoral com público pagante.

Pernambuco tem, ainda bem, importantes festivais de música e grandes eventos públicos onde se concentram as possibilidades de veiculação de sua produção musical. Isto faz de Pernambuco um celeiro de eventos musicais com programações de alto nível, contudo no seu dia-a-dia não consegue manter uma agenda permanente. Levando, muitas vezes, músicos e profissionais da área a migrarem para outros centros como São Paulo e Rio de Janeiro. E o pior, o público não é provocado a absorver esta música no seu cotidiano.

O Sonido, projeto de música autoral que realizou dezenas de shows e outras ações similares em seis meses de atividade, nasceu dessa inquietação, uma tentativa de criar um relação permanente entre bandas, público e empresários da noite. A primeira temporada do projeto, executada entre os meses de abril e setembro de 2015, mostrou este contínuo exercício de comunicação com o público e imprevisibilidade da bilheteria.

Foram exatos 25 shows realizados por diferentes bandas, em estágios diferentes de suas carreiras, e com comportamentos de mercado distintos, mas com iguais motivações: “pegar” ritmo de palco e formar público. Ou seja, tocar e fazer circular esta música.

O Sonido, em sua primeira temporada, além da busca pela experiência sensorial da música sem preconceito, foi também um importante laboratório de mercado. O projeto voltará em breve no seu formato semanal, mas continua em movimento em outros modelos e parcerias.

*Para saber sobre o SONIDO: “www.facebook.com/sonidoprojeto“.

{blog} 5 lições de Copenhague, simples assim!

Acho que vou publicar este vídeo uma vez por semana no Facebook, quem sabe não conseguimos amplificar estas ideias e inverter as nossas prioridades!

Concordo totalmente, a cidade é sim das pessoas! Parabéns ao projeto “Cidades para Pessoas”, da jornalista Natália Garcia. Prazer, encantado!

Colo aqui um trecho da apresentação do projeto de Natália: “O objetivo do projeto jornalístico Cidades para Pessoas é visitar algumas das cidades que foram planejadas ou tiveram consultoria do arquiteto Jan Gehl – ou que sejam consideradas por ele um importante exemplo de “cidades para pessoas” – para entender de perto como cada uma delas foi modificada em seu contexto, como foi esse processo de modificação, quais ideias funcionaram e quais não”.

Acompanhe o “Cidades para Pessoas” pelo site: www.cidadesparapessoas.com.br.